Rio+20: ministros discutirão crédito para desenvolvimento sustentável

21/04/2012
Mantega diz que convidou autoridades do G-20 para a conferência de junho

O SECRETÁRIO-GERAL da ONU, Ban Ki-moon, diz que a reunião com os ministros do G-20 "foi histórica"

Washington.  A Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), em junho, terá uma sessão exclusiva de ministros da área econômica para abrir caminho ao financiamento de projetos que garantam a transição para uma economia de baixo carbono, a preservação ambiental e o combate à pobreza - objetivo da cúpula.  A informação foi dada pelo ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, após encontro de ministros das Finanças, de Desenvolvimento e do Meio Ambiente do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) com o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

- Foi uma reunião histórica.  A questão ambiental passa a ser mais integrada e a ter viabilidade econômica, porque sem os ministros da Economia não tem dinheiro.  E, desta maneira, as ações se tornam mais eficazes e você caminha para um novo conceito, que tinha sido lançado há 20 anos no Rio, mas não tinha sido implementado, que é o desenvolvimento sustentável - disse o ministro.

Mantega: Brasil avançou após a Rio 92

Mantega informou que no encontro, organizado pelo México, que tem a presidência pro tempore do G-20, ele convidou todos os ministros a participarem da conferência no Rio.

- Nós convidamos todos os ministros de Economia do G-20 para participar da Rio+20.  Em geral só iriam ambientalistas.  E nós vamos ter um painel específico de ministros da Economia - disse o ministro.  - Isso significa que nós vamos dar uma ênfase ao desenvolvimento sustentável, que tem duas pernas: um lado é o desenvolvimento, o combate à pobreza, e, ao mesmo tempo, a preservação do meio ambiente, os programas verdes e tudo mais.  Então, eu acho que vai ser uma sinergia importante, que vai dar um resultado melhor.

O ministro defendeu que o Brasil é um dos poucos países que realmente implementaram ações de desenvolvimento sustentável após a Rio 92, reunião de cúpula da ONU que produziu os três grandes tratados da área ambiental: de combate às mudanças climáticas e à desertificação e de preservação da biodiversidade.

- Eu acho que o Brasil foi um dos únicos países que colocou isso em prática, que é o desenvolvimento do país, com a redução da pobreza e a inclusão social, e, ao mesmo tempo, preservação do meio ambiente, utilização de fontes renováveis de energia, preservação na natureza, programas verdes etc. Eu diria que este casamento está se consolidando e a Rio+20 será um coroamento disso - afirmou Mantega.

Financiamento para sustentabilidade é entrave

O financiamento das iniciativas para o mundo fazer a transição para um ritmo de desenvolvimento sustentável é um dos principais entraves nas negociações preparatórias da cúpula, que terá seu ápice nos dois dias de reuniões dos chefes de Estado e governo.  Dinheiro é fundamental, por exemplo, para a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) na Rio+20, um dos mais aguardados resultados da conferência.

Após a crise financeira global de 2008, que dragou recursos dos países ricos, e diante das dificuldades internas para vender um "discurso verde", países como os da União Europeia e os Estados Unidos resistem em se comprometer com recursos para projetos e iniciativas.  Isso vale tanto para transferência tecnológica quanto para o estabelecimento de um orçamento fixo para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

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