Brasil Maior faz festa, economia verde não entra
05/04/2012
No pacote de incentivos do governo, economia verde não entra. Na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontecerá em junho, ela é a convidada de honra. Mas na festa do Brasil Maior, que teve mais uma cerimônia esta semana, em Brasília, a economia verde não passa nem perto da porta. O governo, outra vez, perdeu uma ótima oportunidade de transformar discurso em ação. Tivemos mais do mesmo. Incentivos do século XX dados às indústrias do século XIX para resolver problemas do século XXI.
Nenhuma das medidas anunciadas pelo governo considera os desafios ambientais do planeta e a competição em torno deles que se dará nas próximas décadas. Se a ideia é desonerar, pela enésima vez, a indústria automobilística e gerar empregos, que tal reduzir mais os impostos dos veículos que emitirem menos ou das empresas que investirem nos modelos elétricos e híbridos?
Por que não uma tabela progressiva de descontos para os negócios mais eficientes no uso de energia ou no consumo de água? Em Copenhague, na COP 15, o Brasil prometeu reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em algo entre 36,9% e 38,9%. Desde então, quase nada aconteceu. Na cartilha do Brasil Maior, quem emite muito é beneficiado. Quem emite pouco também. Investiu em redução? Ótimo. Não investiu? Não tem problema. Se for um dos 15 setores eleitos está tudo certo.
O plano inclui um aporte de R$ 45 bilhões do Tesouro para o BNDES. Nos últimos anos, o banco criou linhas de crédito especiais para construções sustentáveis e ônibus híbridos, mas ainda é pouco. Poderia ser o Banco Nacional do Desenvolvimento Sustentável. Não precisaria nem mudar a sigla. Enquanto tentamos salvar o ano, China, Alemanha e EUA investem em inovação, de olho na economia de baixo carbono. Sabem que esse Brasil Maior será um ótimo mercado.
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