C40- Experiência em sustentabilidade

27/03/2012
Conferência - Reuniões com grupo de 40 prefeitos das maiores cidades do mundo (C40) e com participantes no Forte de Copacabana são as mais importantes para a cidade.  Confirmada presença de 100 líderes mundiais

Em junho, do dia 15 a 22, o Rio de Janeiro sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.  A pouco mais de três meses do evento, o trabalho tem sido intenso para acertar todos os detalhes e aprontar a cidade para a entrada maciça de visitantes de todo o mundo.  O secretário de Meio Ambiente do município, Carlos Alberto Vieira Muniz, afirma que, do ponto de vista da cidade, o mais importante será o encontro do C40, grupo que reúne os prefeitos das 40 maiores cidades do mundo.

"Fundamentalmente, as discussões serão destinadas a captação de práticas em sustentabilidade executadas em diversas partes do mundo", antecipa Muniz.  Os prefeitos apresentarão soluções de melhoria em meio ambiente e economia verde.

Para a prefeitura, o coração da Rio+20 será o Forte de Copacabana, onde ocorrerão eventos organizados por ela - em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) -, além do C40.  Muniz aponta para o fato de que a cidade terá que se adaptar para atender os cerca de 30 mil a 50 mil representantes da sociedade civil que visitarão a cidade.

Está sendo estudado o modelo para o acolhimento das pessoas que vierem para a Cúpula dos Povos, principal evento paralelo à Rio+20.

A logística de transporte também será fortalecida, afirma o secretário.  Para ele, ainda é prematuro dizer especificamente quais serão as medidas tomadas.  Está sendo estudado, por exemplo, o translado das pessoas que comparecerão à Cúpula dos Povos.  O evento deve ocorrer no Aterro do Flamengo, na Zona Sul, mas os acampamentos para os participantes ficarão na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte.  "Os locais estão interligados por metrô, então o reforço viria por meio de ônibus", lembrou o secretário.

LIDERANÇA.

Em relação a preocupação de que a Rio+20 poderia perder importância devido a ausência de líderes europeus, ocupados com a crise econômica internacional, Muniz assegura que, até o momento estão confirmados 100 líderes internacionais.  O coordenador-executivo da Rio+20, Brice Lalonde, afirma que o evento principal no Riocentro, manterá sua representatividade, com empre-sas e governos locais ganhando mais importância.

"Existe grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, falta de liderança.  Um país precisa tomar a liderança deste proces-so de busca pela sustentabilidade - é o momento do Brasil ser o líder nesta conferência", sublinha Lalonde.  Para o executivo, é hora dos países começarem a implementar ideias apresentadas nas conferências anteriores, como a Rio 92 e Rio+10.

Para Lalonde, um dos pontos mais necessários atualmente é o plano de ação para a chamada economia verde.  Diretrizes novas para o financiamento de projetos sustentáveis ou danosos ao meio ambiente precisam ser estabelecidas, estimulando os primeiros e coibindo os demais, afirma o coordenador.  "É necessário um novo código de financiamento a longo prazo."

Cidades sustentáveis serão outro tema abordado durante a conferência, principalmente a questão de como tornar os edifícios mais eficientes.  Lalonde afirma que ainda é necessário concordar em alguns pontos desta questão, pois os centros urbanos diferem em tamanho e modelo.

A exprimeira Ministra da Noruega Gro Brundtland, por sua vez, elenca a questão energética como tema prioritário durante a Rio+20.  Gro, que também esteve no Fórum Mundial de Sustentabilidade, é considerada autoridade mundial em questões ambientais.  "O secretário-geral das Nações Unidas, Bam KiMoon, colocou esta como uma questão central para a ONU", disse ela, lembrando que mais de 1 bilhão de pessoas ainda não contam com acesso a eletricidade.

PIB VERDE

Uma questão central a ser abordada durante a conferência será a criação de novo mecanismo para medir o desenvolvimento dos países, hoje referendado pelo Produto Interno Bruto (PIB).  O índice, argumentam ambientalistas, desconsidera fatores como felicidade da população e cuidado com os recursos naturais.  Não existe expectativa de se sair da Rio+20 com modelo já pronto - a alternativa ao PIB é discutida há três décadas -, mas Lalonde espera pelo menos um manifesto em relação ao tema.

"A discussão tem sido muito acadêmica.  O consenso que existe hoje é que devemos dizer ao secretário-geral: nos próximos três anos queremos uma solução que seja acessível e simples para começarmos a trabalhar", frisa Lalonde.

A nova medida de crescimento seria importante para possibilitar a comparação entre países em quesitos como qualidade de vida, explica o ex-primeiro ministro francês, Dominique de Villepin, também presente no Fórum de Sustentabilidade Mundial.  O político afirma que sem integrar novos fatores ao PIB, o mundo perderá de vista a evolução e o progresso em temas como bem-estar social.  Outra razão para a criação de um PIB integrado é o potencial de exportação de experiências positivas de um país ao outro, pois as métricas padronizadas facilitariam aos governos prever resultados.

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