Rio +20 vai definir 'O futuro que queremos'
20/03/2012
Desafio é trazer resultado mais significativo que o de conferências anterioresA exatos três meses da Rio +20, foram retomadas ontem, em Nova York, negociações para a elaboração do "rascunho zero" do documento intitulado "O Futuro que Queremos" e que norteará a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. A rodada, que vai até 27 de março, pretende diminuir polêmicas em torno da declaração final do evento, que acontece entre os dias 20 e 22 de junho, no Rio.
Representante da sociedade civil, a ONG Vitae Civilis, classifica o documento produzido até agora como "genérico e fraco". Para Rubens Born, coordenador adjunto da ONG, o enfoque dado à economia verde é "superficial" e não há avanços em relação ao que foi discutido na Rio 92 e em outros encontros internacionais sobre o tema. "É preciso especificar quais instrumentos deveriam ser utilizados para se chegar a esta economia. "O quê" e "o porquê" foram discutidos em conferências anteriores. Precisamos agora chegar ao "como" e ao "quando"", diz.
Rubens aponta outros problemas no documento. "Ele sugere que seja criada uma ouvidoria, mas não se sabe sequer para quê. Além disso, a questão da governança ambiental ainda aparece de forma primária", critica. O governo brasileiro também cobra melhorias no rascunho. Entretanto, se aprovado pelo Congresso Nacional, o Código Florestal Brasileiro pode ser um dos "calcanhares de Aquiles" da delegação brasileira no encontro (leia na pág.8).
Para o Grupo de Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU), há urgência na incorporação de normas e padrões internacionais de direitos humanos com rigorosos mecanismos de responsabilização. "Aprendendo com os erros dos Objetivos do Milênio, as novas metas sustentáveis devem integrar a ampla gama dos direitos humanos ao desenvolvimento sustentável, e os direitos humanos devem ser a referência para analisar se um desenvolvimento equitativo, inclusivo e sustentável está ocorrendo", diz.
Em sua passagem pelo Brasil, o Secretário-Geral das Nações Unidas para a Rio +20, Sha Zukang, mostrou otimismo quanto aos preparativos para a Conferência. "O grau de entusiasmo e compromisso é extraordinário. A ONU chegou ao Brasil com uma série de questões em aberto e a maioria foi resolvida", disse. Zukang afirmou ainda que o Host Country Agreement (Acordo do País Anfitrião) deve ser assinado em breve. O acordo, firmado entre o governo brasileiro e a ONU, determina todos os aspectos de cooperação e logística para a realização do encontro.
Para Zukang, a crise financeira internacional e o período eleitoral de alguns países, como o próprio Brasil e os Estados Unidos, pode prejudicar a elaboração de metas para a economia verde no mundo, tema que será muito discutido ao longo da Conferência. Sha informou também que uma bandeira da Organização será hasteada, no Rio Centro, em cerimônia oficial, dia 5 de junho. A partir de então até o último dia de Conferência, o local será considerado território das ONU.
A Rio+20 espera reunir 50 mil pessoas e terá dois eixos de discussão: a economia verde e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.
"O grau de entusiasmo e compromisso é extraordinário. A ONU chegou ao Brasil com uma série de questões em aberto e a maioria foi resolvida
Conferência de Estocolmo criou um marco ambiental Reunião na Suécia deu origem à criação da Secretaria Especial de Meio Ambiente, no BrasilA Conferência de Estocolmo foi a primeira tentativa de organizar as relações entre o homem e o meio ambiente. O encontro foi realizado em junho de 1972, na Suécia, e reuniu 113 países e mais de 400 instituições governamentais e não governamentais.
Os temas discutidos foram a chuva ácida e a poluição. A solução apresentada pelos Estados Unidos, junto com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), foi acabar com as atividades industriais de todos os países por um período, já que a indústria é o setor que mais polui o ambiente. A decisão foi contestada pelas nações em desenvolvimento, já que elas tinham a base da economia apenas na industrialização. Por conta deste impasse, a Conferência ficou conhecida pela disputa do "desenvolvimento zero", defendido pelos países ricos e pelo "desenvolvimento a qualquer custo", defendido pelos países em desenvolvimento.
No final da reunião foi concebido um documento relacionado aos temas ambientais, de preservação e uso dos recursos naturais. Depois de participar da Conferência, o Brasil promoveu a elaboração do decreto que instituiu em 1973 a Secretaria Especial do Meio Ambiente.
Rio de Janeiro já tem 93% das reservas de hotéis confirmadas Nível de ocupação durante a realização da Rio+20 só se equipara a de eventos como Carnaval e RéveillonGabriela Murno
A taxa de ocupação da rede hoteleira do Rio de Janeiro para o período da Rio+20 - de 20 a 22 de junho deste ano - é de 93,80%. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (Abih-RJ), índices como este só são alcançados em altas temporadas, como as do Carnaval e do Réveillon - transmitidos para o mundo pelas redes de televisão. Em relação às categorias de hospedagens, 94,33% dos hotéis cinco estrelas e 94,40% dos de categoria três e quatro estrelas já estão ocupados. Estes números incluem os bloqueios feitos pela própria organização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, responsável pela Rio+20.
Segundo o presidente da entidade, Alfredo Lopes, o parque hoteleiro de cidades vizinhas, como Niterói e Petrópolis, também está sendo mobilizado, principalmente, para abrigar hóspedes que vem à cidade para eventos paralelos à Rio+20, mas que não têm relação direta com o evento. "Se a pessoa vai para Itaguaí, por exemplo, pode ficar hospedada em Agra dos Reis, não precisa ficar no Rio", afirma. Ainda segundo o presidente, no próximo dia 27, haverá uma reunião entre a entidade, Ministério do Turismo, Embratur, Itamaraty e Grupo Terra Mar (agência oficial da Rio+20) para discutir como andam os preparativos para o evento.
As reservas feitas pelo Comitê Nacional de Organização da Rio+20 (CNO) têm influenciado na ocupação dos hotéis. Segundo o Comitê, cerca de 80 chefes de estado e de governo já confirmaram presença no encontro.
A expectativa é que este número chegue a 120. "Além de algumas delegações ainda não terem sido confirmadas, o número de participantes de cada uma varia. A variação combinada com a logística necessária de deslocamento faz com que a seleção dos hotéis seja complicada.
É um trabalho de formiguinha", ressalta Alfredo.
A preocupação com a segurança dos líderes é tamanha que as nações confirmadas e seus locais de hospedagem não podem ser divulgados. Apenas o governo espanhol declarou que virá ao evento.
A Conferência chegou a ser adiada quinze dias pela presidente Dilma Rousseff para que um número maior de representantes pudessem comparecer.
A mudança foi feita para que a Rio+20 não coincidisse com a comemoração dos 60 anos de coroação da rainha da Inglaterra, entre os dias 4 e 6 de junho, pois vários líderes do G20 e de países europeus vão participar da festa britânica. Além disso, países da Ásia pediram para que a Conferência fosse marcada para uma data próxima a reunião do G20, marcada para os dias 18 e 19 de junho, no México.
Acessibilidade e inclusão social entram na pauta Serão produzidos documentos em braille e em audiodescrição, além de acessos especiaisO governo federal quer se tornar referência em acessibilidade para grandes eventos. Para isso, portadores de necessidades especiais terão acesso a todas as áreas da Rio+20, em junho.
As ações vão envolver não só as pessoas credenciadas, mas todos os participantes dos eventos paralelos, que serão realizados em áreas da Barra da Tijuca, Aterro do Flamengo, Píer Mauá e Quinta da Boa Vista. Haverá duas vertentes: a primeira se refere aos equipamentos físicos e digitais e a segunda pretende garantir acessibilidade na própria organização da Rio+20. Para isso, estão sendo contratadas pessoas com deficiência. Além da acessibilidade física, há também a preocupação em relação à acessibilidade de conteúdo nos documentos oficiais da Conferência.
Recursos como braille (sistema de leitura para cegos), close caption (legenda oculta) e em audiodescrição (ao vivo ou gravada) serão utilizados.
O governo também pretende que a inclusão social seja uma marca da Conferência. Cerca de 1.000 jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro e 500 universitários serão convidados a participar. Ainda não estão definidas todas as áreas em que atuarão, mas atendimento ao público será uma delas. Estes jovens receberão treinamento em meio ambiente, desenvolvimento sustentável e direitos humanos, além de temas específicos da Conferência. Os parceiros para este projeto ainda serão definidos. Serão produzidos documentos em braille e em audiodescrição, além de acessos especiais
Eventos paralelos também trazem visitantes à cidade Cúpula dos Povos, de 13 a 23 de junho, reunirá entre 10 e 15 mil pessoas no Aterro do FlamengoOs eventos paralelos à Rio+20 também atrairão visitantes. Apenas para a Cúpula dos Povos, o principal evento que acontece na esteira do principal, organizado pela sociedade civil global, são esperadas entre 10 mil e 15 mil pessoas - dos quais farão parte desde grupos de jovens e indígenas até quilombolas.
Mas esse tipo de público não deve lotar os hotéis - a expectativa é que eles fiquem acampados, mas o lugar ainda não está definido.
A Cúpula dos Povos vai acontecer entre os dias 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro.
"Ainda estamos em negociação, porque queremos ficar acampados no próprio Aterro para não fragmentar o grupo", afirmou Carlos Henrique Painel à Agência Brasil. Carlos é membro do Comitê Facilitador Nacional da Rio+20.
Ele lembra que, além dos acampamentos organizados, devem vir ao Rio grupos de outros países da América Latina, que terão dificuldade em encontrar hospedagem.
Mas boa parte do público desses eventos paralelos não deve lotar os hotéis. A expectativa é que eles fiquem acampados, apesar de o lugar ainda não estar definido Fonte:
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